É fora do contexto do blog, mas acho importante contar a história da compra da moto e dar dica para vocês, caso passem pelo mesmo problema pelo qual passei.
O projeto
Eu planejei comprar uma moto entre 600cc e 800cc, com 2 a 4 anos de uso, o que seria ideal para fazer a viagem pela BR-101. Dentro destes parâmetros, R$ 25 mil dariam para comprar a moto. Como a grana estava curta, pensei comprar usando uma carta de crédito de consórcio. A venda da Comet me garantiria o lance para contemplação. Sendo assim, fiz o consórcio no meio do ano.
Na teoria, perfeito. Na prática...
A promessa
O vendedor quando fala com você parece que está vendendo um terreno no céu, ou quase isso. O que lhe oferece é um pedaço do paraíso. Ele está fazendo a papel dele: vender. São metas a cumprir. Vender, vender e vender. Não o culpo até porque o que ele falou na venda não foi nenhuma inverdade.
No caso, a promessa era que entrando num grupo em andamento seria mais fácil ser contemplado com um lance menor (isso não é garantido, mas é plausível). Outro ponto importante seria se eu poderia usar a carta de crédito de um carro para comprar uma moto. Sim! Pode! Está lá na página do banco central (FAQ - Consórcios, item 18).
Diante das promessas dadas (lance fácil e comprar a moto com a carta), fechei negócio. O consórcio seria de um Palio básico (sim! Palio! Apesar de ser um consórcio VW), no valor de R$ 25 mil. Se a moto que eu comprasse custasse menos, poderia usar o restante para fazer um seguro, por exemplo, ou abater no valor das prestações do consórcio. Se a moto custasse mais, eu pagaria a diferença.
A empresa do consórcio? Disal (guarde esse nome).
O lance
Vendi a Comet em dezembro abaixo do que eu gostaria ter vendido, mas estava querendo a grana para dar o lance. Tinha um motivo: a moto que vinha paquerando para comprar tinha 3 anos de uso, que, pelo regulamento do consórcio, é o tempo de uso máximo para aquisição de veículo usado. Comprando em dezembro, também, poderia usar o décimo terceiro salário para complementar a compra da nova moto (transferência, seguro, manutenção inicial, etc.).
A promessa de lance fácil foi cumprida e consegui ser contemplado com pouco mais de R$ 4,5 mil. Mas aqui cabe uma ressalva: não se tem garantia nenhuma de que essa promessa poderia ser cumprida mesmo. Eu sabia disso e arrisquei um lance baixo. Caso não conseguisse, dobraria no lance no mês seguinte. Dei sorte.
Mas a sorte acabou...
O calvário
Vou colocar de forma resumida e objetiva porque a novela é grande (novela = novelo = rolo = enrolar...):
- Dia 12/12/2014 - fui contemplado por lance e efetuei o pagamento.
- Dia 19/12/2014 - compareci à concessionária local da VW, onde tem um representante da Disal, por solicitação recebida via e-mail da própria empresa, para entregar os documentos necessários para liberação do crédito.
- Dia 23/12/2014 - PRIMEIRO DESCASO: eu apresentei o comprovante de renda (3 contra cheques atualizados) com valor superior a 3 vezes o valor da parcela mensal (o mínimo exigido no regulamento do consórcio). Não tenho restrição de crédito e sou pessoa física. Mesmo assim me foi solicitado a apresentação de fiador, a revelia do regulamento do consórcio, item 49.3. Para tentar agilizar o processo, resolvi apresentar o fiador no mesmo dia. Apesar do regulamento afirmar que são dois dias úteis para avaliar a documentação, só liberaram dia 29/12/2014. No calendário da Disal, dia 24/12 não é dia útil. Mas enfim, liberaram o crédito.
- Dia 02/01/2015 - procuro moto nas concessionárias de Recife e João Pessoa, e não encontro mais a Bandit 650S na promoção (acabou o estoque). Opto então pelo modelo GSX 650F, que tem a mesma base da Bandit, porém sem o desconto de R$ 6 mil.
- Dia 09/12/2015 - fecho negócio com uma loja de Recife, a F1 Multimarcas, numa GSX 650F que eles tem disponível para pronta entrega e envio os documentos necessários para faturar a moto.
- Dia 13/01/2015 - a loja de Recife me liga dizendo que a compra foi negada. No mesmo dia vou à VW local, e de lá ligo para a F1, passo o telefone para a funcionária representante da Disal para que ela pegue os dados da moto (chassi/modelo) e conclua o cadastramento da alienação.
- Dia 14/01/2015 - eu recebo a NFe por e-mail que também foi encaminhada para o e-mail da VW local. Na mesma data, efetuo o pagamento da diferença entre o valor da carta de credito e a moto no valor de R$ 7 mil.
- Dia 16/01/2015 - a matriz da Disal me liga dizendo que não posso comprar a moto. Finjo que não ouvi. Pergunto se não receberam a NFe e dizem que não. Ligo para VW e pergunto se não haviam recebido a NFe e encaminhado para a matriz. Ele diz que sim e que vai mandar novamente para a matriz.
Olha só o absurdo! A moto está em outro estado (PE) e não sai da loja sem o pagamento (justo! concordo! vão entregar moto sem receber?). Sem a moto aqui (RN), não tem como fazer vistoria (lógico!) e, consequentemente, o emplacamento para ter o documento com a observação da alienação. Sem o documento, a Disal não paga à loja.
Não precisa mostrar o documento com a observação da alienação! Consultando no site do DETRAN com o número do chassi da moto dá pra ver que ela já estava com a anotação de alienação. E o abuso maior da Disal é ELA ME MANDAR UM E-MAIL INFORMANDO QUE A MOTO ESTÁ ALIENADA. Precisaria mostrar o documento da moto para dizer que ela está alienada?
- P*@#$!!! Pra que essa merda de exigir o documento?
- Senhor, está no regulamento do consórcio - responde a atendente da Disal.
- C#@#*&$#! Eu sei que está lá, mas é abusivo! E não precisa porque vocês já me informaram que a moto está alienada! E ainda mais no meu caso! Não tenho como fazer o documento sem a moto e a moto não sai da loja sem o pagamento!
- Senhor, mas não podemos fazer diferente. É procedimento padrão em consórcios, responde ela novamente.
- Não, não é padrão. Eu vi regulamentos de outros consórcios.
Eu digo que vou entrar com processo e desligo.
- Dia 19/01/2015 - recebo ligação da matriz da Disal onde sou informado que, "em carácter excepcional, o consórcio permitiria que eu enviasse somente o protocolo do processo de emplacamento no Detran". Ligo para a F1, comunico o fato e solicito que providenciem um despachante para fazer a vistoria da moto, a ser enviada por Sedex para mim.
- Dia 21/01/2015 - recebo o Sedex após as 14h, quando o Detran está fechado.
- Dia 22/01/2015 - compareço ao Detran e sou informado pelo chefe do setor de emplacamento que a vistoria em trânsito é somente para veículos já emplacados, e que não poderia fazer o emplacamento sem o veículo passar pela vistoria no Detran do RN.
A solução
Desisti. Sério. Paciência tem limite. Mas teve solução...
Fiz tudo o que poderia ser feito administrativamente (e pacientemente) para liberar o pagamento da moto. Chamei um amigo que é advogado e pedi para ele entrar com um processo. Paralelamente, registrei uma reclamação na ouvidoria do Banco Central. Anexei na reclamação a NFe e o documento que recebi da Disal informando que o veículo estava alienado. Expliquei que ela não pagava o veículo e exigia o CRLV com a anotação da alienação, embora ela mesmo reconhecia que já estava alienado.
Não sei se foi meu amigo indo lá para obter mais informações para o processo e perceberam que eu não estava brincando ou se foi a reclamação no Banco Central, mas o fato é que a Disal me ligou dia 26/01 informando que liberaria o pagamento (foi creditado na F1 dia 27/01).
Paguei para a moto vir de Recife para Natal e recebi a moto dia 29/01. Ainda não desisti de processar a Disal pelo transtorno que passei (update: não processei).
Por fim
A dica que tenho a passar para vocês depois desse caso (contra consórcios ou financeiras):
- façam as reclamações junto à empresa e anotem os protocolos de atendimento;
- se não resolver, registre uma reclamação no Banco Central.;
- se ainda assim não resolveu, procure um advogado ou entre com o processo no juizado de pequenas causas. Enquanto você não fizer isso, a financeira vai lhe enrolar ao máximo.
Claro, não são todas assim. Dei azar de pegar uma péssima empresa (Disal, anotou? Anote para nunca comprar consórcio dela!).
Até a próxima!
(update: o consórcio encerrou e me disseram que não houve resíduo para receber. Disal, nunca mais!)
A viagem sai em 2016? Que confusão esta da compra! Estou pensando em viagem parecida. Não sei quando, mas estou.
ResponderExcluirAbração.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTbm pretendo fazer uma viagem assim. A br101 passa na minha cidade. Acho q em 2017 devo pegar descendo até o sul tbm .quero acompanhar a sua jornada
ResponderExcluirfabiosilvad@gmail.com me add no hangout
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