segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Desafio dado é desafio cumprido!

Aprendi a pilotar motocicletas aos 12 anos. Eu já sabia dirigir carro, já tinha a manha de como usar a embreagem, e andava de bicicleta.  Bastou meu pai explicar os comandos da moto:

- A embreagem é aqui, o acelerador é aqui, entendeu?
- Entendi!
- Agora desça a rua e volte.

Foi fácil. Quando voltei ele perguntou:

- Sentiu alguma dificuldade?
- Não.
- Então vá dar mais algumas voltas.

Acho que ele nunca pensou que um dia eu estaria dando uma volta pela BR 101, de ponta a ponta...

Foi uma longa jornada até agora, porém ainda há um último trecho para concluir a BR 101. É seis de agosto e acordamos cedo. Sem pressa, tomamos café no hotel. Arrumamos a bagagem e saímos as 8 horas em direção ao nosso destino final: São José do Norte/RS. Com uma hora de estrada, alcançamos a divisa SC/RS.
Chegamos ao Rio Grande do Sul.
Chegamos as 10 horas em Osório/RS. O pessoal no grupo do WhatsApp me alertou para abastecer aqui antes de prosseguir porque a estrada até São José do Norte/RS há quase nenhum posto de gasolina no trecho. Meia hora depois, ponho o destino no GPS e saímos.
Mesmo tendo estudado todo roteiro de viagem, confiei demais no GPS. Quando coloquei o destino de São José do Norte/RS, ele traçou a rota pela BR 290. Relaxado, nem percebi. Como a BR 101 se confunde com outras BRs em alguns trechos, não dei importância no início. Só depois de rodar uns 60 km, quando vi a placa para Porto Alegre/RS, é que pensei: estamos no caminho errado. Encostei e fui ver a rota que o GPS tinha traçado. Tracei rota para Rio Grande/RS e o GPS me direcionou por Porto Alegre/RS.

Voltamos e reabasteci em Osório/RS. Desta vez, tracei a rota no GPS e confirmei o roteiro a seguir. Mais uma lição aprendida: não confie no GPS.
Confie nas placas!
De Osório/RS até São José do Norte/RS são 270km. A GSX consegue fazer uns 280 km com um tanque, mas, por precaução, andei a no máximo 100 km/h para poupar combustível. A estrada é cercada de fazendas e há muitos pinheiros.

Chegamos em São José do Norte/RS por volta das 17 horas e não achamos a sede da prefeitura para podermos fazer a foto. Rodamos um pouco usando o GPS até que, pedindo informações num posto de gasolina, nos informaram que havia mudado de local. Orientados, chegamos na portaria e pedimos autorização para fotografar. A guarda patrimonial sorriu e deixou entrarmos. Acho que ela deve estar acostumada com motociclistas aparecendo lá para fazer fotos.
Demorou, mas achamos!

Desafio dado é desafio cumprido!

Como  não achamos muitas opções de pernoite em São José do Norte/RS, seguimos para Rio Grande/RS. Pelo horário, perdemos a balsa, porém conseguimos colocar a moto no barco que faz a travessia de passageiros. Deu um pouco de trabalho para subir no barco devido aos alforjes, mas conseguimos.
Se a canoa não virar / Olê olê olê olá / Eu chego lá...
Conseguimos um hotel muito bacana em Rio Grande/RS, o Porto Rei. Recomendo.

Próximo post: chegamos até aqui e vamos voltar? Acho que não...

domingo, 8 de outubro de 2017

Serra do Rio do Rastro

A Serra do Rio do Rastro/SC é uma Meca para os motociclistas. Você tem que ir uma vez na vida lá. Eu fui!

Acordamos tarde. Pâmela estava cansada da viagem de avião e de rodar ontem os 665km. Arrumo a bagagem na moto, lubrifico a corrente e saímos da garagem do motel. Na recepção, tem um carro fazendo o checkout. Ele demora pra sair e eu desligo a moto.

Quando o carro sai, eu chego mais próximo e fico aguardando algum sinal do interfone. Minutos passam sem um estalo de som dele. Buzino. A recepcionista pede desculpas, não tinha me visto ali parado. Definitivamente, passei a repensar sobre pernoitar em motel

A estrada até Orleans/SC segue margeando o rio Hipólito, formando uma bela paisagem. Paramos numa padaria em Orleans/SC para tomar café da manhã antes de continuarmos.

Saindo da padaria, me perdi um pouco dentro de Orleans/SC. O GPS da Gamin apontava uma rota, e o Google Maps outra. No final, entendi que o Google queria cortar caminho por dentro da cidade enquanto o Garmin queria dar a volta por fora.

O início da subida da serra é leve com poucas curvas. A medida que nos aproximamos, ela torna-se mais acentuada e as curvas ficam mais fechadas. Existem alguns pontos que permitem parada no acostamento.
Deixando a marca do MC no meio da subida.
Se aqui já é bonito, imagina lá em cima.
Minhas lindas companheiras.
Esta acabou sendo a única parada no meio da subida. Achei melhor ir direto até o mirante pra não perder muito tempo de viagem.

Dei sorte e peguei quase nenhum trânsito na subida. Apesar das curvas convidativas a raspar a pedaleira, me segurei porque a moto estava com bagagem e garupa. Chegando ao mirante, visitamos as lojinhas, lanchamos e fizemos algumas fotos.

Vista do mirante.
O sol não ajudava a manter os olhos abertos.
Várias motos e alguns viajantes.
Fiquei com vontade de descer e subir a serra novamente, mas o tempo estava curto e ainda tem muito chão pela frente.

A descida foi tão gostosa quanto a subida e só parei em Orleans/SC para abastecer. No posto, Pâmela desceu da moto sentindo enjoo de tantas curvas que fizemos na descida. Descansamos um pouco e retornamos à Tubarão/SC para entrar novamente na BR-101.

Passando por Criciúma/SC vimos alguns outlets e resolvemos parar para procurar uma bota para Pâmela. O tênis dela estava incomodando e não tinha trazido outro calçado fechado. Como já estava perto de escurecer e ela não achou nada, resolvemos entrar em Criciúma/SC para nos hospedar e ir a outros shoppings.

Devidamente instalados, trocamos de roupa sair. Fazia frio (acho que era 19ºC) e eu fui com a única roupa que tinha: chinelo, bermuda e camiseta. Torci para que no shopping o clima estivesse mais quente que o clima na rua. Deixamos a moto no hotel e pegamos um Uber.
Pela foto, conseguem adivinhar
quem perdeu a bagagem?
Como identificar turistas: ou está de bermuda e chinelo, ou está
super agasalhado para o clima ameno.
Passamos por várias lojas e não achamos a bota, mas achamos uma daquelas poltronas que fazem massagem. Perguntei se Pâmela queria experimentar. Ela achou que não valeria a pena gastar dinheiro com aquilo. Insisti e ela topou após eu concordar que dividiria o tempo com ela. Eu inserindo R$ 5,00 na máquina e ela olhando com reprovação pra mim (ela queria só R$ 2,00). Porém, foi só a poltrona começar a funcionar que ela olhou pra mim e falou:

- Não vou dividir, não. Isso aqui tá muito bom!
- Tudo bem. Eu sabia que você iria gostar. Por isso topei dividir.

Quase dorme...
Ela estava precisando. A coluna está incomodando e a massagem na poltrona ajudou a diminuir o desconforto. Ainda tem mais seis dias de estrada pela frente e a coluna vai reclamar.

Deu pra aguentar o frio de boa. Como eu trabalho com informática, a minha sala fica refrigerada abaixo de 24ºC. Dentro do shopping (Nações Shopping), como pensei, estava tranquilo. O problema foi para sair do shopping. Não aguentei. Pedimos um Uber e ficamos dentro do shopping esperando chegar. Chegando ao hotel, fomos direto dormir.

Rodamos pouco neste dia, em torno de 230 km. Valeu a pena passar pela Serra do Rio do Rastro/SC. Eu recomendo a qualquer um viajar e passar por ela.
Um sonho realizado: percorrer a Serra do Rio do Rastro/SC
Próximo post: chegamos ao fim da BR-101.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pegando dona patroa no caminho

A sexta-feira chega e não chego em Porto Alegre/RS como planejado. Daí sai mais uma lição: planejar é bom. Ótimo é ter um plano B. Mas se não tiver plano B, simplesmente siga em frente.

Saio as 5h25min. Ainda está escuro e felizmente a estrada é duplicada e bem sinalizada. Dá para pilotar tranquilamente. Está fazendo um pouco de frio, iguais as manhãs anteriores. O problema é que começa a piorar. E muito! O frio incomoda tanto que, pela primeira vez, paro para me esquentar um pouco. Até então, só parava para abastecer.

Na conveniência do posto, dois caras chegam junto e fazem as perguntas de praxe: de onde vem?? Pra onde vai? Tudo isso de moto? Teve um que ficou mexendo na moto e eu não gostei. Ignorei. Me agarrei ainda mais com o meu café.

Enquanto tomava o café, deixei as luvas no escapamento pra esquentar. Porém, pela primeira vez, o escapamento não está tão quente. Dá pra tocar com a mão sem as luvas. O motor também está frio.

Sigo e o frio continua incomodando. Fico preocupado. A mão dói e eu sei que minha reação para frear ou desviar ficam mais lentas. Foco ainda mais na estrada e não percebo que passei da divisa. Paro pouco antes de chegar em Curitiba/PR. Pergunto no grupo do Whatsapp se tenho que voltar pra fazer a foto e me recomendam só abastecer e pegar o recibo.

Novamente o papo: de onde vem? Pra onde vai? E eu respondo: estou indo pro sul, mas antes vou passar no aeroporto buscar minha esposa. E o frentista uma outra pergunta: qual aeroporto?

Como assim? Tem mais de um aeroporto em Curitiba?

Foi um golpe de sorte, porque o GPS estava marcado para ir até o Aeroporto de Bacacheri. Minha esposa desembarcaria no Aeroporto de Afonso Pena. Refaço o roteiro e sigo.

Chego ao aeroporto meia hora antes do voo chegar. Enfim, um cronograma cumprido! Tenho tempo de sobra pra tomar um café e esquentar um pouco.

Pâmela desembarca trazendo na mão os alforges de nylon. Ela colocou um dentro do outro e que no espaço que sobrou, colocou o que pode de roupas. Desta vez, não trouxe o secador de cabelo (uhuu!).

Ficamos um tempo um tempo no aeroporto decidindo qual rota seguir. Ela quer conhecer Curitiba e, infelizmente, não temos muito tempo. Por fim, decidimos que iríamos somente ao Jardim Botânico.

Enfim juntos!

Ir pra Curitiba/PR e não fazer uma foto no Jardim Botânico
é o mesmo que não ir.

A muito contragosto dela, seguimos a viagem. Teremos somente 5 dias juntos e a ideia original prevalece: passear pelo Rio Grande do Sul. Como Curitiba/PR é mais perto, podemos voltar outro dia. Além disto, ainda tem a Serra do Rio do Rastro/SC pela frente.

Enfim em Santa Catarina
Na parada pra abastecer em Florianópolis, calculei que chegaríamos até Imbituba/SC. Achei um chalé interessante no Booking.com e tracei a rota. Quando chegamos ao destino, pra nossa surpresa, estava fechado. Rodamos atrás de chalés na Praia do Rosa/SC e batemos nos três que batemos, não havia ninguém pra atender. O que deduzi era que os chalés seriam alugados durante o dia e eles davam a chave. Desistimos e seguimos até Tubarão/SC.

Paramos em um motel na beira da estrada. Estava ficando muito tarde e Pâmela estava cansada. Já falei que nem todo motel oferece conforto para uma pernoite? Este motel foi ainda mais longe: a porta do quarto trava automaticamente e só é aberta se você interfonar para a recepção. E se pega fogo no motel? O funcionário vai lembrar de abrir todas as portas antes de sair da recepção? Bom... tô cansado e ignoro isso. Quero dormir cedo.

Após umas partidas de Candy Crush sentado no vaso, vou pro chuveiro. Afinal, hoje tem... #SQN. Saio do chuveiro peladão, todo animado, mas quando chego na cama:
Não, hoje não tem.
Ela estava com tanto frio que dormiu de calça jeans; calça de motociclista; meias; camisa; jaqueta de motociclista; e balaclava. Achando pouco, ainda puxou o lençol, uma tolha e minha segunda pele térmica pra se cobrir. Deixei ela como estava e só puxei o lençol pra me cobrir.

Não lembro o nome do motel, mas era próximo ao Champagne.
Rodamos uns 665 km (quase 666km!). Uma boa média apesar de tantas paradas.

Próximo post: Serra do Rio do Rastro/SC.