segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Desafio dado é desafio cumprido!

Aprendi a pilotar motocicletas aos 12 anos. Eu já sabia dirigir carro, já tinha a manha de como usar a embreagem, e andava de bicicleta.  Bastou meu pai explicar os comandos da moto:

- A embreagem é aqui, o acelerador é aqui, entendeu?
- Entendi!
- Agora desça a rua e volte.

Foi fácil. Quando voltei ele perguntou:

- Sentiu alguma dificuldade?
- Não.
- Então vá dar mais algumas voltas.

Acho que ele nunca pensou que um dia eu estaria dando uma volta pela BR 101, de ponta a ponta...

Foi uma longa jornada até agora, porém ainda há um último trecho para concluir a BR 101. É seis de agosto e acordamos cedo. Sem pressa, tomamos café no hotel. Arrumamos a bagagem e saímos as 8 horas em direção ao nosso destino final: São José do Norte/RS. Com uma hora de estrada, alcançamos a divisa SC/RS.
Chegamos ao Rio Grande do Sul.
Chegamos as 10 horas em Osório/RS. O pessoal no grupo do WhatsApp me alertou para abastecer aqui antes de prosseguir porque a estrada até São José do Norte/RS há quase nenhum posto de gasolina no trecho. Meia hora depois, ponho o destino no GPS e saímos.
Mesmo tendo estudado todo roteiro de viagem, confiei demais no GPS. Quando coloquei o destino de São José do Norte/RS, ele traçou a rota pela BR 290. Relaxado, nem percebi. Como a BR 101 se confunde com outras BRs em alguns trechos, não dei importância no início. Só depois de rodar uns 60 km, quando vi a placa para Porto Alegre/RS, é que pensei: estamos no caminho errado. Encostei e fui ver a rota que o GPS tinha traçado. Tracei rota para Rio Grande/RS e o GPS me direcionou por Porto Alegre/RS.

Voltamos e reabasteci em Osório/RS. Desta vez, tracei a rota no GPS e confirmei o roteiro a seguir. Mais uma lição aprendida: não confie no GPS.
Confie nas placas!
De Osório/RS até São José do Norte/RS são 270km. A GSX consegue fazer uns 280 km com um tanque, mas, por precaução, andei a no máximo 100 km/h para poupar combustível. A estrada é cercada de fazendas e há muitos pinheiros.

Chegamos em São José do Norte/RS por volta das 17 horas e não achamos a sede da prefeitura para podermos fazer a foto. Rodamos um pouco usando o GPS até que, pedindo informações num posto de gasolina, nos informaram que havia mudado de local. Orientados, chegamos na portaria e pedimos autorização para fotografar. A guarda patrimonial sorriu e deixou entrarmos. Acho que ela deve estar acostumada com motociclistas aparecendo lá para fazer fotos.
Demorou, mas achamos!

Desafio dado é desafio cumprido!

Como  não achamos muitas opções de pernoite em São José do Norte/RS, seguimos para Rio Grande/RS. Pelo horário, perdemos a balsa, porém conseguimos colocar a moto no barco que faz a travessia de passageiros. Deu um pouco de trabalho para subir no barco devido aos alforjes, mas conseguimos.
Se a canoa não virar / Olê olê olê olá / Eu chego lá...
Conseguimos um hotel muito bacana em Rio Grande/RS, o Porto Rei. Recomendo.

Próximo post: chegamos até aqui e vamos voltar? Acho que não...

domingo, 8 de outubro de 2017

Serra do Rio do Rastro

A Serra do Rio do Rastro/SC é uma Meca para os motociclistas. Você tem que ir uma vez na vida lá. Eu fui!

Acordamos tarde. Pâmela estava cansada da viagem de avião e de rodar ontem os 665km. Arrumo a bagagem na moto, lubrifico a corrente e saímos da garagem do motel. Na recepção, tem um carro fazendo o checkout. Ele demora pra sair e eu desligo a moto.

Quando o carro sai, eu chego mais próximo e fico aguardando algum sinal do interfone. Minutos passam sem um estalo de som dele. Buzino. A recepcionista pede desculpas, não tinha me visto ali parado. Definitivamente, passei a repensar sobre pernoitar em motel

A estrada até Orleans/SC segue margeando o rio Hipólito, formando uma bela paisagem. Paramos numa padaria em Orleans/SC para tomar café da manhã antes de continuarmos.

Saindo da padaria, me perdi um pouco dentro de Orleans/SC. O GPS da Gamin apontava uma rota, e o Google Maps outra. No final, entendi que o Google queria cortar caminho por dentro da cidade enquanto o Garmin queria dar a volta por fora.

O início da subida da serra é leve com poucas curvas. A medida que nos aproximamos, ela torna-se mais acentuada e as curvas ficam mais fechadas. Existem alguns pontos que permitem parada no acostamento.
Deixando a marca do MC no meio da subida.
Se aqui já é bonito, imagina lá em cima.
Minhas lindas companheiras.
Esta acabou sendo a única parada no meio da subida. Achei melhor ir direto até o mirante pra não perder muito tempo de viagem.

Dei sorte e peguei quase nenhum trânsito na subida. Apesar das curvas convidativas a raspar a pedaleira, me segurei porque a moto estava com bagagem e garupa. Chegando ao mirante, visitamos as lojinhas, lanchamos e fizemos algumas fotos.

Vista do mirante.
O sol não ajudava a manter os olhos abertos.
Várias motos e alguns viajantes.
Fiquei com vontade de descer e subir a serra novamente, mas o tempo estava curto e ainda tem muito chão pela frente.

A descida foi tão gostosa quanto a subida e só parei em Orleans/SC para abastecer. No posto, Pâmela desceu da moto sentindo enjoo de tantas curvas que fizemos na descida. Descansamos um pouco e retornamos à Tubarão/SC para entrar novamente na BR-101.

Passando por Criciúma/SC vimos alguns outlets e resolvemos parar para procurar uma bota para Pâmela. O tênis dela estava incomodando e não tinha trazido outro calçado fechado. Como já estava perto de escurecer e ela não achou nada, resolvemos entrar em Criciúma/SC para nos hospedar e ir a outros shoppings.

Devidamente instalados, trocamos de roupa sair. Fazia frio (acho que era 19ºC) e eu fui com a única roupa que tinha: chinelo, bermuda e camiseta. Torci para que no shopping o clima estivesse mais quente que o clima na rua. Deixamos a moto no hotel e pegamos um Uber.
Pela foto, conseguem adivinhar
quem perdeu a bagagem?
Como identificar turistas: ou está de bermuda e chinelo, ou está
super agasalhado para o clima ameno.
Passamos por várias lojas e não achamos a bota, mas achamos uma daquelas poltronas que fazem massagem. Perguntei se Pâmela queria experimentar. Ela achou que não valeria a pena gastar dinheiro com aquilo. Insisti e ela topou após eu concordar que dividiria o tempo com ela. Eu inserindo R$ 5,00 na máquina e ela olhando com reprovação pra mim (ela queria só R$ 2,00). Porém, foi só a poltrona começar a funcionar que ela olhou pra mim e falou:

- Não vou dividir, não. Isso aqui tá muito bom!
- Tudo bem. Eu sabia que você iria gostar. Por isso topei dividir.

Quase dorme...
Ela estava precisando. A coluna está incomodando e a massagem na poltrona ajudou a diminuir o desconforto. Ainda tem mais seis dias de estrada pela frente e a coluna vai reclamar.

Deu pra aguentar o frio de boa. Como eu trabalho com informática, a minha sala fica refrigerada abaixo de 24ºC. Dentro do shopping (Nações Shopping), como pensei, estava tranquilo. O problema foi para sair do shopping. Não aguentei. Pedimos um Uber e ficamos dentro do shopping esperando chegar. Chegando ao hotel, fomos direto dormir.

Rodamos pouco neste dia, em torno de 230 km. Valeu a pena passar pela Serra do Rio do Rastro/SC. Eu recomendo a qualquer um viajar e passar por ela.
Um sonho realizado: percorrer a Serra do Rio do Rastro/SC
Próximo post: chegamos ao fim da BR-101.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pegando dona patroa no caminho

A sexta-feira chega e não chego em Porto Alegre/RS como planejado. Daí sai mais uma lição: planejar é bom. Ótimo é ter um plano B. Mas se não tiver plano B, simplesmente siga em frente.

Saio as 5h25min. Ainda está escuro e felizmente a estrada é duplicada e bem sinalizada. Dá para pilotar tranquilamente. Está fazendo um pouco de frio, iguais as manhãs anteriores. O problema é que começa a piorar. E muito! O frio incomoda tanto que, pela primeira vez, paro para me esquentar um pouco. Até então, só parava para abastecer.

Na conveniência do posto, dois caras chegam junto e fazem as perguntas de praxe: de onde vem?? Pra onde vai? Tudo isso de moto? Teve um que ficou mexendo na moto e eu não gostei. Ignorei. Me agarrei ainda mais com o meu café.

Enquanto tomava o café, deixei as luvas no escapamento pra esquentar. Porém, pela primeira vez, o escapamento não está tão quente. Dá pra tocar com a mão sem as luvas. O motor também está frio.

Sigo e o frio continua incomodando. Fico preocupado. A mão dói e eu sei que minha reação para frear ou desviar ficam mais lentas. Foco ainda mais na estrada e não percebo que passei da divisa. Paro pouco antes de chegar em Curitiba/PR. Pergunto no grupo do Whatsapp se tenho que voltar pra fazer a foto e me recomendam só abastecer e pegar o recibo.

Novamente o papo: de onde vem? Pra onde vai? E eu respondo: estou indo pro sul, mas antes vou passar no aeroporto buscar minha esposa. E o frentista uma outra pergunta: qual aeroporto?

Como assim? Tem mais de um aeroporto em Curitiba?

Foi um golpe de sorte, porque o GPS estava marcado para ir até o Aeroporto de Bacacheri. Minha esposa desembarcaria no Aeroporto de Afonso Pena. Refaço o roteiro e sigo.

Chego ao aeroporto meia hora antes do voo chegar. Enfim, um cronograma cumprido! Tenho tempo de sobra pra tomar um café e esquentar um pouco.

Pâmela desembarca trazendo na mão os alforges de nylon. Ela colocou um dentro do outro e que no espaço que sobrou, colocou o que pode de roupas. Desta vez, não trouxe o secador de cabelo (uhuu!).

Ficamos um tempo um tempo no aeroporto decidindo qual rota seguir. Ela quer conhecer Curitiba e, infelizmente, não temos muito tempo. Por fim, decidimos que iríamos somente ao Jardim Botânico.

Enfim juntos!

Ir pra Curitiba/PR e não fazer uma foto no Jardim Botânico
é o mesmo que não ir.

A muito contragosto dela, seguimos a viagem. Teremos somente 5 dias juntos e a ideia original prevalece: passear pelo Rio Grande do Sul. Como Curitiba/PR é mais perto, podemos voltar outro dia. Além disto, ainda tem a Serra do Rio do Rastro/SC pela frente.

Enfim em Santa Catarina
Na parada pra abastecer em Florianópolis, calculei que chegaríamos até Imbituba/SC. Achei um chalé interessante no Booking.com e tracei a rota. Quando chegamos ao destino, pra nossa surpresa, estava fechado. Rodamos atrás de chalés na Praia do Rosa/SC e batemos nos três que batemos, não havia ninguém pra atender. O que deduzi era que os chalés seriam alugados durante o dia e eles davam a chave. Desistimos e seguimos até Tubarão/SC.

Paramos em um motel na beira da estrada. Estava ficando muito tarde e Pâmela estava cansada. Já falei que nem todo motel oferece conforto para uma pernoite? Este motel foi ainda mais longe: a porta do quarto trava automaticamente e só é aberta se você interfonar para a recepção. E se pega fogo no motel? O funcionário vai lembrar de abrir todas as portas antes de sair da recepção? Bom... tô cansado e ignoro isso. Quero dormir cedo.

Após umas partidas de Candy Crush sentado no vaso, vou pro chuveiro. Afinal, hoje tem... #SQN. Saio do chuveiro peladão, todo animado, mas quando chego na cama:
Não, hoje não tem.
Ela estava com tanto frio que dormiu de calça jeans; calça de motociclista; meias; camisa; jaqueta de motociclista; e balaclava. Achando pouco, ainda puxou o lençol, uma tolha e minha segunda pele térmica pra se cobrir. Deixei ela como estava e só puxei o lençol pra me cobrir.

Não lembro o nome do motel, mas era próximo ao Champagne.
Rodamos uns 665 km (quase 666km!). Uma boa média apesar de tantas paradas.

Próximo post: Serra do Rio do Rastro/SC.

domingo, 24 de setembro de 2017

Litoral Rio/São Paulo

É madrugada do sexto dia e cedo, as 4h40min. Me preparo pra sair quando dá aquela vontade de sentar um pouco e fletir sobre a vida (ou seja, cagar 💩).

O frio deixa a gente mais preguiçoso para sair. Apesar de acordar cedo, pego a estrada mais tarde, as 6 horas.

A GSX 650F está bem econômica. Estou conseguindo fazer médias de 22 km/l e no primeiro abastecimento do dia, consigo um recorde: fiz 24 km/l.
É quase o consumo de uma 125cc, #SQN
Tenho andado a uma média entre 100km/h e 120 km/h. Depende do trecho (duplicado/simples) e do trânsito (com/sem caminhão na estrada). Não adianta ir mais rápido, o consumo sobe muito e o risco também.

Pego engarrafamento na ponte Rio-Niterói. A subida em Niterói é feia, passando pela região de porto. A vista da ponte é bacana, mas foco na estrada. Poderia encerrar minha viagem se um carro reduzisse na minha frente e eu batesse.

A BR 101 passa ao lado dos morros no Rio. Lembro das notícias de tiroteios. Mas nada acontece. Minha esposa liga, preocupada. Falo que está tudo bem, que já passei pelos morros e estou na BR num trecho que mal há casa em volta. Ela vai ligar várias vezes até eu sair do estado do Rio de Janeiro. Preocupação desnecessária. Finalmente chego ao litoral.

Cara... só a passagem pelo litoral do RJ e de SP já valeria a viagem. Muito bonito. Eu não tinha parado para fazer fotos na viagem, exceto das placas de divisas, mas não tinha como não parar e fazer algumas fotos do litoral do RJ. O trecho tem serra de um lado, mar do outro. É espetacular!
Uma das vistas do litoral do RJ.

Divisa RJ/SP.
Uma das belas vistas do litoral de SP.
Tá só um pouco suja...
O trecho de serras é muito bonito para andar, mas torna-se muito lento, tanto pelas curvas quanto por filas atrás de caminhões.

Escurece e estendo a pilotagem noite a dentro. A estrada está muito boa e duplicada. Paro um pouco antes de chegar em Registro/SP, no posto Graal Ouro Verde, para abastecer e aproveito para jantar. O posto de serviço é muito bom. Aproveito para comprar shampoo, talco para chulé e outras pequenas coisas que faltaram comprar. Aproveito também a parada e busco hospedagem por perto.

Acho um hotel em Registro/SP, o Régis Hotel. Preço muito bom e bem confortável, não muito distante do posto Graal Ouro e me hospedo nele. Também recomendo.


Ainda volto outro dia para passear neste litoral.
Foram aproximadamente 750 km, o que considero muito bom para o trecho.

Calculo a rota até o aeroporto de Curitiba e vejo que se acordar cedo e não enrolar pra sair, dá para chegar pouco antes do horário do voo e pegar minha esposa sem deixá-la esperando.

Próximo post: pegando muito frio na estrada.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Parei para fotografar divisa ES/RJ e tive uma surpresa!

Quinto dia de viagem e finalmente consigo sair cedo, as 5h30min. Está um pouco frio lá fora, em torno 16º. O que incomoda mesmo é uma chuva fina que cai. As luvas ficam úmidas e o vento frio piora ainda mais a situação.

Decido parar em Vitória/ES para comprar uma capa de chuva, trocar o óleo da moto e procurar algum protetor de manete, daqueles de motocross, para ver se diminui o vento frio na mão. Fui no Shopping das motos e consegui comprar isso tudo e ainda comprei um reparo para furo de pneu, além de uma segunda pele térmica.

Infelizmente, lá não troca óleo, mas tinha uma pequena oficina em frente. Atravesso a rua, pergunto se trocam o óleo e os caras dizem que não mexem em "moto grande". (Pô, qual é a dificuldade de tirar um parafuso e drenar o óleo?). Me indicam outra oficina.

Chegando lá, o cara também não troca óleo. Porém, neste caso, de nenhuma moto. Era só uma loja de peças. Felizmente, ele tem um mecânico que faz os serviços pra loja dele e liga pedindo que o mecânico venha pra me acompanhar até oficina. (Olha aí a diferença de um bom atendimento). A oficina ficava pertinho da fábrica da Garoto.
Negociata de Amor
Troquei somente o óleo, sem trocar o filtro, para não atrasar tanto. Saio as 11 horas e o trânsito está fluído. Alcanço a BR 101 em pouco tempo e sigo em frente.

Chegando à divisa ES/RJ, as 13h50min, paro para fotografar a placa e vejo um outro motociclista parando do outro lado, no sentido contrário. Na hora pensei: só pode ser outro aventureiro fazendo o Desafio Rodoviário Fazedor de Chuva! Coincidência? Não! É o espírito aventureiro que promove encontros como estes! Fui lá cumprimentá-lo, claro.
Melqui chegando para fotografar a placa da divisa (atrás do carro).

Perguntei como estava a estrada para baixo e ele me disse que estava tudo ok, sem problemas. Eu disse que para cima iria encontrar um pouco de chuva após a Bahia. O papo foi rápido, nós dois tínhamos muito chão pela frente.

Um encontro de dois aventureiros, eu e Melqui.
Numa parada de abastecimento descubro que minha calça nova, comprada especialmente para esta viagem, está rasgando.
A costura está abrindo.
Por sorte, o bolso tem um forro próprio e não há risco da carteira cair (já basta a bagagem perdida antes). Sigo até Itaboraí/RJ e começa a escurecer. Resolvo não ir até Niterói/RJ pensando na minha segurança.

Paro num hotel de beira de estrada barato. O quarto está bom pra passar a noite, mas o letreiro do hotel fica bem na minha janela, iluminando o quarto. "Se me cobrir todo, não deve atrapalhar a dormida", penso.
Vai ser difícil dormir com essa luz toda...
Saio para fazer um lanche num posto vizinho e volto com um Gatorade, para hidratar o corpo, e um remédio natural para ajudar a relaxar e dormir:
Só uma pra relaxar.
Ah, claro... não esqueci de lavar a cueca do dia. Depois do macete da toalha, improvisei um varal na saída do condicionador de ar e de manhã já estava tudo seco.
A cueca ainda continua branca!
Consegui fazer 687km, mesmo parando em Vitória/ES para fazer compras e trocar o óleo. Traço o roteiro para o dia seguinte e vejo que daria chegar em Porto Alegre/RS em dois dias, rodando uma média de 800km por dia. Minha esposa me convence a pegá-la em Curitiba/SC.

Ponho os eletrônicos para carregar, desligo tudo e cubro o rosto pra diminuir a luminosidade no quarto. Por fim a luz não incomodou e o "remédio" fez efeito: rapidinho já estou dormindo.

Próximo post: passando pelo litoral do RJ e de SP.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

17 dias e 3 cuecas. E agora?

Viajar com apenas 3 cuecas (2 que comprei + 1 que estava usando) dá certo? Eu sabia que sim!

O problema não é lavar a cueca suja, mas sim, como secá-la durante a noite. E o truque eu aprendi com meu irmão de MC, Adriano:
Estenda a toalha, coloque a roupa molhada em cima e depois enrole a toalha e a torça. Isso retirará boa parte da água da roupa e ela secará mais rápido.
E assim fiz durante toda viagem. E sempre que possível, colocava a roupa pra secar bem próximo à saída do condicionador de ar ou do ventilador. Optei por roupas com poliéster, uma vez que secam bem mais rápido que as de algodão. #FicaDica.

Depois de tomar um banho, ligo o notebook e copio as imagens da filmadora. Aproveito para rever o planejamento da minha rota. Era pra ter chegado em Teixeira de Freitas/BA, mas parei em Cruz das Almas/BA. Atraso de 650 km, ou quase um dia. Vejo que perdi muito tempo rodando dentro de Feira de Santana/BA. Traço a rota para o dia seguinte e acho que dá pra chegar em Vitória/ES. Desligo tudo e vou dormir.

Acordo cedo, 5 horas, ainda desanimado pela bagagem que perdera no dia anterior. A noite foi mal dormida. São poucos motéis que oferecem um conforto adequado para passar a noite. A cama é revestida com uma napa impermeável, quente. O travesseiro idem. Sento-me na beira da cama, abro um pacote de biscoito que tinha comprado no dia anterior para lanchar. Ele desce goela abaixo com água. Ligo para pedir a conta e a moça avisa que tem café da manhã (ela não tinha avisado ontem que o café estava incluso na pernoite). Dispenso.

6 horas e finalmente saio do motel para pegar a estrada. Demorei pra sair por pura preguiça. Estava fazendo um pouco de frio devido a chuva que caiu durante toda noite e o quarto parecia mais aconchegante agora. "Chegar à Vitória/ES vai ser mais difícil com este atraso pra sair", penso.

Pâmela, minha esposa, já fala em descer em Curitiba/PR e seguir comigo na moto. Eu não concordo de início. Tenho três dias para rodar 3 mil km até Porto Alegre/RS. Acredito que posso fazer isso, se não ficar enrolando para sair como fiz neste dia. Por fim, ela acaba me convencendo.

A Bahia é muito chão! Quando você pensa que rodou um bocado, vê que ainda não está nem na metade! Uma placa na BR me chamou a atenção. Como cresci no metal e sou metaleiro, parei no acostamento só para fotografá-la.
Highway to Hell!!! 🤘🤘🤘
Parei para almoçar em São João do Paraíso/BA. É meu primeiro almoço na estrada e ainda tenho que fazer foto pra mostrar a dona patroa que estou me alimentando direitinho...
Uma comida leve, pra não dar sono na estrada.
Até então eu fazia um lanche rápido em cada abastecimento. Ora comia salgado de forno (sempre de forno, nada de fritura), ora comia sanduíche natural. Na maioria das vezes com café pra acompanhar. Não me esquecia de beber água também. Quando estava quente, pegava um picolé.

Fazendo isso, além de ganhar tempo na viagem, evita de pilotar com o estômago muito cheio, o que pode dar sono. Isso ajudou a fazer uma média de 800 km por dia.

Pego uma chuva leve na estrada que não me molha muito, mas deixa as luvas bem úmidas. Passei a sentir frio na mão. Lembrei-me das luvas de inverno que caíram junto com o baú. "Foda-se! Pra frente sempre!", penso. Se não posso trocar de luvas, só tem uma solução: esquentar as luvas no escapamento...

Sem luvas de inverno, a gente tem que se virar como pode.
Finalmente, as 17 horas, eu termino a travessia pela Bahia! Uhuu!
Demorou, mas sai da Bahia.
Começa a escurecer e vejo que tinha razão: a preguiça pra pegar a estrada mais cedo me impediria de chegar em Vitória/ES. Paro num posto as 18 horas para procurar onde ficar. Não quero mais pernoitar em motel, não me agradou muito o que fiquei na noite anterior e saiu quase o mesmo preço de um hotel de beira de estrada. Acho um hotel por R$ 75 em São Mateus/ES. Mais meia hora de estrada e me hospedo. Total rodado no dia: 800 km. Acho pouco, mas é o que deu por hoje.
Poderia ser mais, se tivesse saído mais cedo.
Estou bem mais animado pra continuar a viagem. Traço a rota para o dia seguinte e defino como objetivo chegar em Paraty/RJ. Será que irei conseguir? Veremos no próximo post..

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Perdi as cuecas! (e algo mais)

Tudo ia muito bem até que...

Acordo cedo pensando em sair antes do café, mas o dono do albergue preparou um café simples antes da hora. Resolvi comer antes de sair. Enquanto ele preparava o café, eu preparava a moto. Pus o bauleto no lugar, lubrifiquei a corrente e esperei o café. A lubrificação da corrente virou uma preocupação diária. Além de prolongar a vida útil, aproveitava pra dar uma olhada geral na moto.

Bucho cheio, pé na estrada. Mas antes, uma passada na praia. Afinal, dormir pertinho do mar e não tirar uma foto, não dá!
Farol do Atalaia
Praia do Atalaia
Antes de chegar na estrada, engarrafamento. Sim... me arrependi de ter entrado tanto, deveria ter dormido na margem da BR mesmo.

Chegando na BR 101, coloquei pra tocar um MP3 no intercomunicador e segui viagem. Até que em uma curva o sol projeta minha sombra ao meu lado. Percebo que a parte de trás da sombra está faltando um certo volume... "Puta que pariu... minha bagagem caiu!"

Parei no acostamento e olhei para traseira da moto. Não vi sinal do suporte do baú. "Putz... caiu tudo, bauleto, suporte... fudeu...". Lembrei que ouvi um "poc" num trecho be lá atrás, mas pensei que tinha sido um buraco que o pneu passou por cima e feito o barulho. Na hora não me liguei em ver o bauleto, só soltei um pouco o guidão pra ver se tinha furado o pneu. Como a moto não balançou, continuei.

Aviso no grupo do WhatsApp o ocorrido e que iria voltar. Cato o primeiro retorno e ando uns 50km voltando para Aracajú/SE, olhando a pista contrária pra ver se via o bauleto. Nada...

Pego o retorno achando que já tinha passado do ponto onde tinha caído e retomo em direção norte. Rodo uns 40 km e nada. Paro na PRF e pergunto se alguém havia deixado lá. Nada...

Nessa hora, vejo melhor a moto e percebo que o suporte havia rompido e girou cobrindo a placa. (Eu tô pedindo pra levar multa... parar na PRF com a placa coberta...).
Torou na curvatura do suporte.
Peço algumas ferramentas emprestas para remover o suporte quebrado. Um ASG aparece com um alicate e uma chave de boca mas não dá pra remover o parafuso allen porque está muito apertado. Ele me sugere ir num borracheiro pertinho da PRF, mas no sentido norte/sul (voltando). Deixo meu número de celular no posto, caso alguma alma impoluta ache o bauleto e resolva devolver. Agradeço as ferramentas e sigo atrás do borracheiro.

Chego na borracharia e não tem ninguém. "Pronto... além de perder a bagagem, vou perder tempo também...". Pergunto na lanchonete vizinha se borracheiro iria demorar. Me responderam que ele estava mais a frente, no posto de gasolina vizinho. "Ufa! Pelo menos vou resolver logo". Fui lá, perguntei se ele tirava o suporte. Ele respondeu que sim e voltamos pra borracharia.

Percebi que ele estava tirando todo o suporte, quando eu o interrompi dizendo que era só a parte de trás. Nisso, ele perguntou se não queria que soldasse de volta o suporte.  Topei: "bom... bauleto não vou colocar mais aí, mas pelo menos fica a base de apoio", pensei.
Ó as ideias: soldar sem tirar o suporte. Doido pra queimar toda moto...
- Homi.. faça isso, não. Vai queimar a moto e me deixar no prego, eu disse.
- Relaxe pai... é só um pingo de solda.
Cruzei os dedos, fechei os olhos e torci (não rezo, quem me conhece sabe o porquê).

Terminado o serviço, percebo que ficou torto, caído para trás. Digo pra o borracheiro e ele se faz de desentendido (acho não queria tirar tudo novamente pra arrumar).

Liguei o "foda-se". Não tinha mais bauleto mesmo e estava querendo segui viagem. Paguei R$ 20 pelo teste de aterramento elétrico da moto, digo, pela solda e peguei a estrada.
Me esforçando para sorrir na foto depois de tudo...
O que perdi? Bom... além das cuecas (4 ou 5), foram:
  • uns 3 pares de meias;
  • 5 camisetas, sendo 3 do moto clube Anarkhos;
  • uma bermuda;
  • uma calça jeans;
  • uma camisa polo manga longa;
  • uma segunda pele térmica;
  • uma tolha;
  • kit de higiene pessoal (shampoo, sabonete, creme dental, etc)
  • capa de chuva;
  • forro da calça Texx e da jaqueta Alpine Star;
  • luva de couro Riffel;
  • ferramentas (chaves de boca, chave de catraca, canivete, etc.);
  • trava de disco (a chave ficou comigo);
  • óleo de corrente C4 Motul;
  • reparo de pneus: um da Motul e um kit com macarrão e cápsulas de CO2;
  • um powerbank de 12.000mA que é também auxiliar de partida, caso a bateria arriasse;
  • bandeira do moto clube, que tinha feito exclusivamente para esta viagem (estou com ela na foto em Touros); e
  • chinelo tipo franciscano;
Acho que foi só isso (se lembrar de algo, edito e acrescento na lista). Se alguém tiver notícias, entre em contato!

Por sorte, estava com todos equipamentos eletrônicos em uma mochila comigo, além de carteira com documentos, cartões e dinheiro. Resolvi levar uma mochila com o notebook porque achei que vibraria menos que se o colocasse no bauleto. Aproveitei pra colocar câmera, carregadores, etc. Lamento não ter colocado o powerbank.

No caminho, resolvi entrar em Feira de Santana para comprar roupas. Achei que seria mais fácil porque a cidade é maior, mas, justamente por ser maior, perdi muito tempo com o trânsito.

Achei um shopping (Boulevard Shopping) e comprei uma mochila, tipo academia, duas cuecas, três meias, uma camisa polo manga longa, uma bermuda, uma camiseta e produtos de higiene pessoal. Já tinha uma aranha debaixo do banco da moto que usei para amarrar. Não confiei mais no suporte, apesar do borracheiro ter dito que havia reforçado. Deixei tudo preso no banco, onde poderia me encostar e sentir a bagagem.
Pra que viajar com tanto, se você precisa de tão pouco?
Sai do shopping por volta das 16h30min e fui atrás de óleo pra corrente. Findada as compras, segui até Cruz das Almas. Tive que parar porque escureceu e começou a chover. Achei um motel perto da BR e resolvi pernoitar nele.
Acho que vou comprar uma moto dessa pra mim...
Depois de pegar um pouco de chuva na estrada.
 Dia praticamente perdido. Só consegui rodar uns 350 km. Fui dormir triste com a perda da bagagem, mas de forma alguma pensei em desistir. Só me vinha à cabeça um ditado alguém me disse (ou li em algum lugar e adaptei):

"Pra frente, sempre. Porque moto não tem marcha ré!"


Próximo post: como viajar com apenas três cuecas.

PS: vou tentar soltar um post toda segunda-feira, cada um relatando um dia de viagem. (tenham paciência)

sábado, 2 de setembro de 2017

Já foi e já voltou? Como assim?

Sim! Já fui e já voltei! E vou contar como foi...

Hoje fica até mais fácil ter apoio com as redes sociais. Aproveitei um grupo no WhatsApp que participava, acompanhando um desafio de outro motociclista de Natal, para anunciar que faria o meu e que gostaria de apoio e dicas de viagem. Só em poder compartilhar a aventura em tempo real foi bacana. Não me sentia só na estrada. A cada divisa eu colocava a foto no grupo e em cada parada de posto eu lia as mensagens e anunciava a próxima parada.

O planejamento que fiz, bom... funcionou no início. Do meio pra frente, não foi bem como o planejado.

Primeiro, meu parceiro de viagem não pode ir. Arrumei um seguindo parceiro de viagem, que de última hora aconteceu um imprevisto e não pode também. Foi uma discussão chata com minha esposa, mas a convenci que poderia ir só. Havia feito uma revisão geral na moto um mês antes da viagem, troquei andamento e pneu antes do fim da vida útil para não ter surpresas na estrada. Por fim, ela acabou aceitando.

Acabei perdendo minha bagagem quando saia de Aracaju/SE (contarei no próximo post) e tive que ir parando para comprar roupas. Minha esposa, que iria de avião até Porto Alegre, resolveu descer em Curitiba/PR. Com isso, diminui o ritmo de viagem. Mas no final foi tudo ótimo, não foi exaustivo, e se pudesse, faria novamente (quem sabe não faça mesmo?)

Dia 01

Sábado, 29 de julho, fui até Touros/RN fazer a primeira foto do Desafio Rodoviário Fazedor de Chuva. Fui acompanhado do meu irmão de MC, Arthur, e sua esposa, Jane. Fizemos fotos na placa do início da BR 101:


E em frente à Prefeitura de Touros, como é pedido no desafio:

Dia 02

No domingo, marquei a saída no posto Emaús as 6h. Fomos até Goianinha, 50km distante, para tomar um café e de lá eu seguiria viagem. Adriano, outro irmão de MC, teve que voltar do posto. Me acompanharam até a divisa do RN/PB minha esposa, minha amiga Roberta, Arthur e esposa, Jânio e Edjânio, dois fazedores de chuva experientes que me deram várias dicas, as quais foram muito úteis na viagem.
Saída no Posto Emaús/RN
Café da manhã em Goianinha/RN
Meus amigos me acompanhando até a divisa RN/PB
Divisa RN/PB
E agora a brincadeira começa de verdade: muito chão até Aracaju/SE. Foram 775 km no primeiro dia, apesar da parada para café da manhã. Como eu estava bem empolgado com a viagem, foi super tranquilo. Já conhecia boa parte da estrada e não tive problemas.
Divisa PB/PE

Divisa PE/AL
Uma chuva de leve na estrada, pra refrescar.
Divisa AL/SE
Percurso do 2º dia (o 1º dia foi Touros).
Aqui o planejamento já deixou de ser seguido. Ao invés de me hospedar perto da BR como planejado, acabei indo até um albergue no litoral. O valor da diária foi tentador e achei que não perderia muito tempo. Valeu a pena. Apesar de simples, a dormida foi ótima. Mas o ideal é se hospedar na própria BR 101, ou bem próximo. Você não perde tempo com o trânsito da cidade para sair e retomar a viagem.

Próximo post: saindo de Aracaju e perdendo a bagagem.